Hoje vamos falar sobre um tema simples, mas com um impacto enorme no desenvolvimento dos bebés:
As posições mantidas no dia a dia.
Muitas vezes, sem nos apercebermos, mantemos o bebé diariamente em posições que parecem inofensivas mas que, quando mantidas por muito tempo, podem influenciar em parte o seu crescimento e desenvolvimento.
As posições mantidas de forma prolongada podem ter um papel importante no desenvolvimento motor, craniano e respiratório do bebé.
Entender estas consequências é o primeiro passo para promover um desenvolvimento saudável e equilibrado.
📌 Para facilitar a compreensão, vamos dividir em 3 tópicos centrais:
Desenvolvimento motor
Quando um bebé passa demasiado tempo sempre na mesma posição (por exemplo, deitado de costas ou sempre na espreguiçadeira), não só as estruturas acabam por se adaptar a essa posição, como o bebé pode não conseguir explorar o movimento de forma livre e natural para a sua fase do desenvolvimento ou até demonstrar “tensão” associada.
Um exemplo concreto que podemos deixar é: se pensarmos em assumir sempre a mesma posição, na qual passamos grande parte do nosso tempo, existem certos grupos musculares que vão ser mais estimulados, enquanto outros que não ativam irão ficar mais “adormecidos”.
Se um bebé está maioritariamente do seu tempo na espreguiçadeira ou no ovinho, por exemplo, onde não tem estímulo dos músculos extensoras da cabeça, porque não têm de atuar contra a força da gravidade, podemos então perceber porque há bebés com maior dificuldade em “segurar” a cabeça.
Alterações cranianas
Os ossos do crânio dos bebés são muito maleáveis e têm muita mobilidade, em comparação com os adultos, principalmente nos primeiros meses de vida. Ora, se o bebé permanecer longos períodos deitado, sempre na mesma posição, podem desenvolver-se assimetrias e áreas achatadas no crânio.
Impacto respiratório
A postura influencia diretamente a mobilidade torácica e abdominal, fundamentais para uma respiração eficiente. Caso exista uma restrição da mobilidade destas mesmas áreas ou caso o posicionamento não seja favorável, pode condicionar diretamente a função e capacidade respiratória do bebé.
Estes são apenas alguns exemplos das repercussões que uma postura mantida pode ter na qualidade de vida do bebé.
As posições mantidas de forma prolongada, apesar de parecerem inofensivas, têm um papel importante no desenvolvimento motor, craniano e respiratório do bebé.
A boa notícia é que, com pequenas mudanças diárias, é possível reduzir o risco de grande parte destes problemas.
Reflexão
Queria também deixar uma pequena reflexão…
Quantas vezes, ao passarmos demasiado tempo na mesma posição, começamos a sentir algum desconforto? Consegue lembrar-se de algum momento?
Talvez daquela vez em que adormeceu no sofá e acordou com a cervical “presa”…
Ou quando esteve demasiado tempo sentado/a a trabalhar ou no sofá, sem variar a posição, e sentiu a lombar rígida ou um desconforto nos joelhos?
Provavelmente acabou por mudar de posição para aliviar aquela sensação.
Com os bebés acontece exatamente o mesmo. A diferença é que, sobretudo os mais pequeninos, eles ainda não conseguem fazê-lo sozinhos… Por isso, precisam da nossa ajuda para mudar de posição.
💡 Na próxima semana iremos dar dicas simples e práticas que podem aplicar no dia-a-dia.

Artigo escrito por Carolina Rodrigues – Fisioterapeuta Pediátrica da psoas, Membro da Ordem dos Fisioterapeutas (Nº8701), Pós-graduada em Osteopatia Pediátrica e formação em Intervenção Especializada em Fisioterapia Respiratória Pediátrica.
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